quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Eu e minha quarta cesárea

Bom dia, resolvi falar da minha quarta cesárea porque foi apenas há seis meses que ela aconteceu e realmente é a que mais me lembro se penso no parto em si, além de ainda lembrar da gestação e não somente das partes boas... Eu não sei se toda mãe tem isso, mas com o passar dos anos acho que vamos deletando o negativo e lembrando somente das coisas boas de cada gestação ou parto. ( é uma dor muito sem vergonha).

A Bel não foi planejada, veio em meio um processo que eu inocentemente havia estabelecido em minha vida, percebi durante a gestação dela como as mulheres vão sendo levadas diretamente para a maternidade compulsória, você não pode nem questionar o fato de estar grávida ou ainda ter o direito de ficar chateada com a situação, você tem que aceitar porque é um presente, e realmente é um presente e amo minha filha, mas não tive o direito de me sentir frustrada ou triste parece que não devemos mais ser seres humanos quando engravidamos, devemos ser robôs programados para amar somente.

Eu sabia que iria amar muito a minha filha, mas naquele momento eu queria entender a situação, assim que descobri a gestação começaram as dores, eu estava apenas com quatro semanas e doía muito, foi me dito que era por causa das cesáreas anteriores, todo médico me olhava de cara feia porque eu já tinha três e ainda porque tinha um DIU perdido dentro do meu organismo, bem além de eu ter que estar feliz e realizada com a nova gravidez ainda tinha que ver os profissionais me olhando com a aquela cara "você é louca de estar grávida novamente" ou ainda "bem feito se tá doendo".

No momento que começou doer eu fui ao médico, precisava me certificar que estava tudo bem e precisava ser orientada de como faria para que a gestação prosseguisse da melhor forma, confesso que muitas e muitas vezes achei que não iria conseguir, achei que ela seria um anjo no céu, ainda bem que eu estava errada. Fiz muito repouso, cheguei a ficar internada e fui levando a minha vida, demorei para contar que estava grávida para as pessoas, demorei para arrumar as coisas dela, mas sabia que amaria muito aquele serzinho que estava em meu ventre.

Na ecografia da vigésima semana foi comprovado que seria elA, mas também fui encaminhada para ao atendimento de alto risco, por causa da dores e cesáreas anteriores, me mandaram para o único hospital na cidade que eu não gostaria de ter minha filha, mas não havia muita para ser feito a não ser, ser resiliente.

Nos partos anteriores eu não queria ninguém comigo na hora, mas nesse eu queria (como a gente muda né?) e assim foi, minha mãe entrou no último minuto do segundo tempo e ficou comigo por lá até eu ir para o quarto.

Falando da cesariana, eles fizeram em outro local, é comum cortarem sempre no mesmo lugar, porém com estava muito embaixo meu corte eles fizeram em outro local para não correr risco de atingir minha bexiga, durante o parto já retiraram minha trompas e procuraram o DIU, foi a pior sensação da minha vida, é muito ruim sentir alguém mexendo dentro de você, mas o pior já tinha passado, eu sentia tanta dor que ficava imaginando se não tinha algo machucando ou incomodando minha bebê também, ela nasceu forte 3,770 kilos e 51 centímetros, eu só conseguia pensar: Ela está bem, ela está bem, ela está bem e esse pensamento estendeu-se por quase 50 minutos que foi o tempo em que fiquei ali vulnerável e aberta com  médicos mexendo dentro de mim.

Agora a pergunta, foi um parto mágico? Não, foi um parto ótimo para padrões de recuperação e de sucesso, ela nasceu e eu me recuperei bem, mas não tive nenhum parto óóóó, eu nunca tive vontade de ter parto normal, e nem idealizei nada para o momento do nascimento dos meus bebês, o que eu queria mesmo no final de cada gestação que eles saíssem logo, para eu poder ver seus rostinhos e amamentar e acariciar e carinhar e apertar e amar e andar direito de novo, (risos).

Hoje marido me pergunta se eu não arrependo de ter laqueado, por ele teríamos mais uns dois, e eu não posso responder essa pergunta, no momento não me arrependo até porque quatro é uma quantidade bem significativa, mas quem sabe o futuro né, eu mudei tanto nos últimos quatro anos, quem saberá o futuro? Acho que só quem chegar até lá...

Enfim, ótima semana!

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